A coccidiose é uma doença parasitária ocasionada por protozoários dos gêneros Eimeria e Isospora. Esta enfermidade pode ser também denominada como Isosporose ou Eimeriose. No caso dos passeriformes (pássaro de pequeno e médio porte) e psitacídeos (araras, papagaios, cacatuas e calopsitas), relata-se que os protozoários de maior ocorrência são do gênero Isospora. Esta doença ocorre majoritariamente em aves jovens, pois a imunidade não está totalmente desenvolvida sendo mais susceptíveis ao estresse.

As infecções por tais coccídios causam modificações na estrutura das vilosidades intestinais, ocorrendo um encurtamento na altura da vilosidade. Muitas vezes ocorre a destruição das células epiteliais dos intestinos (delgado e grosso), impedindo a renovação das vilosidades levando a perda de fluidos, hemorragia e maior susceptibilidade a outras doenças. A maioria parasita no epitélio intestinal, embora possa parasitar raramente em outras vísceras (especialmente fígado, baço e pulmões) como no caso dos canários.

A coccidiose pode afetar qualquer espécie avícola em qualquer tipo de instalação. A infecção pode ter duração variável, a doença pode ser branda, resultando da ingestão de poucos oocistos, não chegando a ser observada clinicamente, ou seja, não apresentando sintomas visíveis (assintomática). Também podemos ter evolução lenta e sintomas leves. Mas também pode ser severa como resultado da ingestão de milhares de oocistos (Foto 01), consequentemente na forma aguda, com duração de 4 a 14 dias, caracterizada pelos sintomas clássicos de inflamação intestinal e geralmente óbitos.

Os sinais clínicos da coccidiose incluem perda de peso, perda da coloração das penas, anemia intensa, penas arrepiadas, diarréia que varia com a presença de muco esbranquiçado a sanguinolenta, desidratação, diminuição do consumo de água e alimentos, acúmulo de fezes na cloaca, abdome inchado e dolorido, consequentemente seguida de prostração e morte (Foto 02).

A infecção ocorre através de alimentos ou água contaminados com oocistos esporulados.

Para identificar a doença há necessidade de exame parasitológico de fezes, por meio do método de flutuação e ou sedimentação, com a identificação correta dos oocistos e quantificação por grama de fezes para verificar a intensidade da infecção. No caso do óbito da ave é necessário realizar a necropsia da ave e então visualizar as lesões com exame histopatológico.

A prevenção baseia-se principalmente em desinfecção local e ambiental. Não se sabe de um tratamento eficaz para as coccidioses, o que existe são indicações medicamentosas que têm levado em muitos casos a obter sucesso com a utilização de coccidiostáticos nas rações.

O controle da doença é baseado em boa higiene, alimentação de qualidade e adequada lotação animal por área.

A coccidiose em passeriformes e psitacídeos de vida livre é uma enfermidade emergente devido a perdas de habitats naturais, ao acúmulo de populações e principalmente devido a situações de apreensões ilegais que são muito frequentes em aves silvestres.

M. V. Pedro Henrique Arosteguy de Carvalho e Siqueira CRMV – DF 1475
Medicina de Animais Silvestres e Exóticos

Site: .pointanimaldf.com.br
Email: pedrohacs@hotmail.com
Co-autor: Keila Rita de Almeida
Estagiária – Point Animal
Graduando em Medicina Veterinária
Serviços: Consultório Médico Veterinário
Point Animal
SHCGN 716 Bloco C, Loja 13 – Brasília, Asa Norte
(61) 3347.9305 / 3272.9204 / 9311.9786